A riqueza global em transição: reputação, capital e a nova mudança de poder na Ásia

O UBS Billionaire Ambitions Report 2025 evidencia a forma como a riqueza global está a ser redesenhada pela crescente influência da Ásia, pela aceleração das transições entre gerações e pela crescente complexidade geopolítica e tecnológica. À medida que o capital se torna cada vez mais móvel e a exposição mais inevitável, a Michael Macfarlane Associates vê a reputação a afirmar-se como uma forma distinta de capital, cada vez mais moldada por uma inteligência artificial omnipresente e essencial para assegurar resultados de longo prazo num mundo permanentemente visível.
O UBS Billionaire Ambitions Report 2025 traça um retrato vívido de um panorama da riqueza em profunda transformação. Os multimilionários são hoje perto de 3000 em todo o mundo, e a sua riqueza conjunta atingiu novos máximos. No entanto, a história não é simplesmente de crescimento; é uma história de centros de gravidade em mudança, de valores em evolução e de complexidade crescente.
Destacam-se três forças particularmente influentes:
- A rápida diversificação da riqueza empresarial,
- A aceleração da transmissão de riqueza entre gerações, e
- Um fosso crescente de prioridades e visões do mundo entre gerações.
Estas tendências manifestam-se de forma diferente consoante a região, destacando-se a Ásia, em especial a China, a Índia e o Sudeste Asiático, como um dos palcos de mudança mais relevantes.

A riqueza empresarial está a alargar-se, e a Ásia é um dos principais motores
Em 2025 surgiu um grupo significativo de novos multimilionários que construíram a sua própria fortuna, em setores muito para além da esfera tecnológica tradicional. Da genética e das infraestruturas ao gás natural liquefeito (GNL), às cadeias de restauração rápida e aos ativos digitais, o terreno da criação de riqueza alargou-se consideravelmente.
Em nenhum outro lugar esta diversificação é mais evidente do que na Ásia. A região gerou mais de 60 novos multimilionários por mérito próprio nesse ano, muitos deles jovens fundadores cujas empresas estão profundamente integradas em mercados de consumo em rápida expansão e em ecossistemas digitais muito dinâmicos.
Entre os padrões mais notáveis encontra-se o ressurgimento da China continental, onde os empreendedores tecnológicos ganham novo fôlego à medida que se reforça o interesse pela inovação nacional, sobretudo após os avanços em modelos de inteligência artificial como o DeepSeek. A Índia destaca-se também pela sua sólida base empresarial, sustentada pelo aumento do consumo interno, por entradas contínuas de capital global e pela crescente maturidade de setores fundamentais, como a tecnologia financeira, a indústria farmacêutica e a indústria transformadora. Por sua vez, o Sudeste Asiático continua a demonstrar um ambiente empresarial dinâmico, com empreendedores no retalho, na alimentação e nos serviços digitais a expandir rapidamente os seus negócios e a tirar partido dos mercados de consumo em crescimento na região.
A diversificação da riqueza empresarial asiática significa também que os perfis de risco são mais amplos, abrangendo dinâmicas regulatórias, mudanças geopolíticas, mercados digitais descentralizados e setores de elevado crescimento que evoluem rapidamente. Estes fundadores enfrentam muitas vezes decisões estratégicas, de governação e estruturais mais cedo do que os seus homólogos ocidentais em fases de riqueza semelhantes.
A grande transferência de riqueza avança, e a Ásia está preparada para uma transformação
Os fluxos de heranças a nível mundial atingiram níveis recorde em 2025, prosseguindo uma tendência de subida que deverá manter-se pelo menos durante os próximos quinze anos. Embora a América do Norte continue a ser o maior centro individual de riqueza herdada, o papel da Ásia na transferência global de riqueza está a ganhar cada vez mais destaque.
Entre os principais desenvolvimentos conta-se o fluxo de heranças previsto na Índia, que está entre os maiores do mundo face à atual população de multimilionários, refletindo tanto a maturidade demográfica como o número crescente de detentores de riqueza de primeira geração que estão agora a entrar numa idade mais avançada. Na Grande China está em curso uma transição geracional significativa, com a concentração da riqueza, estruturas familiares mais pequenas e a valorização dos ativos a ampliarem o impacto de cada transferência. Por sua vez, o Sudeste Asiático está a entrar em novos ciclos de sucessão, à medida que os conglomerados de controlo familiar e as fortunas empresariais começam cada vez mais a passar dos fundadores para a geração seguinte de guardiões.
As famílias asiáticas gerem frequentemente heranças em várias jurisdições, com estruturas patrimoniais que abrangem Hong Kong, Singapura, Dubai, a Europa e a América do Norte. À medida que a mobilidade aumenta e os membros da família se dispersam pelo mundo, os pressupostos tradicionais sobre proximidade, sucessão e unidade são postos em causa.

A independência tornou-se o legado preferido em todas as regiões, incluindo a Ásia
Uma das observações mais marcantes do relatório é que a grande maioria dos detentores de riqueza quer que os filhos tenham sucesso de forma independente, em vez de dependerem apenas dos bens herdados. Esta aspiração é particularmente acentuada em muitas famílias asiáticas, onde as normas históricas de sucessão na empresa familiar estão a dar lugar a expectativas mais contemporâneas:
- Os filhos podem seguir carreiras internacionais em vez de entrarem na empresa familiar.
- As famílias adotam cada vez mais uma gestão profissional em vez de uma liderança hereditária.
- A riqueza é vista menos como um direito adquirido e mais como uma plataforma para a realização pessoal, a cidadania global e um envolvimento seletivo.
Esta mudança traz oportunidades e complexidades, sobretudo quando os membros mais jovens da família estudam, trabalham ou casam em culturas e países diferentes. Na prática, a independência exige compreensão partilhada, comunicação deliberada e enquadramentos de longo prazo bem pensados.
Os valores das gerações estão a divergir, muitas vezes de forma mais acentuada na Ásia
As gerações mais jovens de todas as regiões dão maior ênfase à inovação, à sustentabilidade, ao impacto e às escolhas de estilo de vida. As novas gerações asiáticas, muitas das quais estudaram no estrangeiro ou cresceram em centros cosmopolitas como Singapura, Hong Kong, Dubai e Londres, trazem muitas vezes uma perspetiva mais global do que as gerações anteriores.
O relatório salienta que se espera que as gerações emergentes enfrentem grandes desafios sociais e tecnológicos, sobretudo nos domínios da inteligência artificial e da ética digital, das alterações climáticas e da sustentabilidade, bem como da desigualdade, da educação e da coesão social.
Na Ásia, estas questões cruzam-se com a rápida transformação económica da região, tornando as conversas entre gerações mais complexas e mais importantes do que nunca.
A longevidade está a alargar o horizonte da liderança e da sucessão
Em todas as regiões, os detentores de riqueza esperam viver significativamente mais do que previam há uma década. Em partes da Ásia, onde os avanços nos cuidados de saúde e as melhorias no estilo de vida estão a acelerar, esta expectativa é igualmente forte.
A maior esperança de vida está a redesenhar as estruturas de liderança familiar, transformando a sucessão num percurso de várias décadas em vez de um único momento decisivo. Em consequência, os papéis dentro das famílias sobrepõem-se cada vez mais entre três ou mesmo quatro gerações, esbatendo os calendários tradicionais de transição da liderança.
As expectativas em matéria de autoridade, envolvimento e reforma estão a tornar-se mais fluidas, levando as famílias a repensar a forma como os papéis são definidos, como as responsabilidades evoluem ao longo do tempo e como se pode manter a clareza sem criar pressões ou ambiguidades desnecessárias.
A mobilidade global está a redesenhar a estrutura das famílias asiáticas
A mobilidade tornou-se uma característica definidora da riqueza global. As famílias asiáticas, muitas vezes com raízes empresariais num país, formação noutro e investimentos em vários outros, estão entre as mais dispersas a nível internacional.
As razões para a mudança de residência incluem considerações como a qualidade de vida, preocupações geopolíticas, otimização fiscal, privacidade e proximidade de centros empresariais globais. À medida que os membros da família se estabelecem em diferentes regiões, a coesão depende menos da proximidade geográfica e cada vez mais de estruturas de comunicação e de decisão intencionais e bem concebidas. Esta mudança é particularmente relevante para as famílias asiáticas em transição de modelos centrados no fundador para enquadramentos de governação mais distribuídos e que abrangem várias gerações.
A maior sensibilidade ao risco está a influenciar o pensamento de longo prazo das famílias
O relatório assinala preocupações acrescidas com tarifas aduaneiras, conflitos geopolíticos, incerteza política e inflação. Estas preocupações são especialmente relevantes na Ásia, onde as tensões geopolíticas e a evolução das dinâmicas comerciais podem influenciar as operações empresariais, as avaliações e as escolhas estratégicas.
Há uma tendência clara para a diversificação, a resiliência de longo prazo e um maior escrutínio dos mercados públicos e privados, a par de um interesse crescente por ativos como infraestruturas, estratégias de cobertura e metais preciosos. Embora a estratégia de investimento represente apenas uma dimensão da gestão patrimonial, reflete uma inclinação mais ampla das famílias para planear a incerteza em vez de confiarem em pressupostos lineares de crescimento.
A Ásia como força central no futuro da riqueza global
O relatório do UBS sublinha uma verdade simples mas poderosa: a Ásia já não é um ator emergente no mundo da riqueza global; é um ator determinante. Os seus empreendedores estão a moldar setores inteiros; as suas famílias estão a tornar-se multijurisdicionais; as suas gerações mais jovens têm valores cada vez mais globais; e as suas futuras transferências de riqueza influenciarão mercados, práticas de governação e padrões filantrópicos durante décadas.
Em todas as regiões emerge uma narrativa comum: a riqueza atual não é capital estático, mas um sistema dinâmico moldado pela mobilidade, pela longevidade, pela inovação e pela evolução das expectativas sociais.
Neste contexto, as famílias beneficiam não só de competências financeiras, mas também de pensamento estruturado, comunicação clara e uma governação de longo prazo que favoreça a unidade e a capacidade de adaptação. São estes os alicerces que ajudam a riqueza a perdurar, não só financeiramente, mas também cultural e geracionalmente.
Como a Michael Macfarlane Associates pode ajudar
À medida que a riqueza se torna cada vez mais global, digitalizada e transmitida entre gerações, a reputação afirmou-se como uma forma crítica de capital. Num mundo moldado pela inteligência artificial, por registos digitais permanentes e por um escrutínio acrescido, a reputação já não é um subproduto passivo do sucesso, mas sim um vetor primário de sucesso por direito próprio.
A Michael Macfarlane Associates é uma especialista global em gestão da reputação que trabalha em estreita colaboração com clientes privados, family offices e detentores de capital na Ásia e na Europa. A empresa apoia famílias e titulares em momentos de transição, crescimento e complexidade, seja na transmissão de riqueza entre gerações, na expansão global, numa maior visibilidade pública, em litígios ou em grandes iniciativas de investimento e filantropia. Ao construir perfis globais com substância, mitigar o risco reputacional e alinhar as narrativas públicas com a posição real, a Michael Macfarlane Associates ajuda os clientes a proteger e a fazer crescer o capital reputacional a par do capital financeiro. A Michael Macfarlane Associates trabalha com as famílias para garantir que a reputação reforça, e não limita, a sua capacidade de operar, investir e liderar ao longo de gerações e em várias jurisdições.


